Cassandra

Cassandra


É meu destino… Vou, então, chorar lá
dentro por mim, por Agamêmnon… Basta desta vida!
(Cassandra encaminha-se novamente para o palácio, mas torna a recuar.)
Ai, estrangeiros!… Não recuo sem motivos
como se fosse frágil pássaro medroso.
Apenas peço-vos que após meu triste fim
testemunheis no dia predeterminado
a morte aqui por mim, mulher, de outra mulher
e o mesmo fim de um homem para desagravo
de outro homem morto agora pela própria esposa.
É esta a minha súplica na hora extrema.


Corifeu
Ah! Infeliz!… Lamento a sina que prevês…


Cassandra
É meu desejo ainda declarar-vos algo.
Não vou agora começar um canto fúnebre;


imploro ao Sol, diante desta luz mortiça,
que dê aos inimigos fim igual ao meu,
aos assassinos de uma escrava, presa fácil.
É triste e sem remédio a sorte dos mortais…
Esboça-se a ventura em traços imprecisos;
os males chegam logo, como esponja úmida,
e num instante apagam para sempre o quadro.


(Entrando no palácio.)


É isso que me faz sofrer ainda mais!

(trecho de Agamemnon- de Ésquilo)

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