Posts Categorizados ‘Odorico Mendes

18
Jan
09

Eleitos 2008 # A Ilíada

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Foto: Gilson Camargo

Na verdade a descoberta se deu no fim de 2007, mas os estudos sérios se consolidaram ao longo de 2008.

É claro que já tinha ouvido falar na obra, sabia do que se tratava, mas, quando me deparei com a tradução belíssima do Odorico Mendes,  descobri um mundo de possibilidades que ela pode apresentar. Uma tradução brilhante, uma Língua Portuguesa fantástica, uma obra didática, cheia de política, ética, honra, religião, beleza, etc.

Acrescento uma nota especial à publicação da Ilíada com as notas verso a verso de Sálvio Nienkötter ( já apresentada aqui no blog na ocasião de seu lançamento), fundamental para o meu entendimento da obra.

07
Dez
08

Lançamento da Ilíada na BPP

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07
Out
08

Para ler a Ilíada…

Agora não tem mais desculpa para não ter, muito menos para não ler a Ilíada, na brilhante tradução de Odorico Mendes.

Foi lançada, no começo de setembro, pela Editora Atêlie a edição com Prefácio e Notas de Sálvio Nienkötter.

Além de ser uma edição belíssima, que já vale a pena só pelo fato de relançar no mercado essa tradução maravilhosa (as edições anteriores estão esgotadas), é fruto de um estudo minucioso do Sálvio, de quase uma década, que traz notas verso a verso. 

Isso viabiliza a leitura e entendimento amplo da obra, seja qual for o ponto de partida do leitor. Desde os estudiosos da obra e da mitologia grega em geral àquele que se depara com pela primeira vez, seja com Odorico, seja com Homero. 

Além das notas, um prefácio leve, porém elucidante, que aborda aspectos gerais da obra, da questão homérica e da obra do tradutor. Questões tais, que ao menos para quem está ainda nas primeiras leituras, certamente se apresentarão no decorrer dos vinte e quatro cantos que compõe a narrativa. 

O lançamento oficial em Curitiba será no dia 24 de outubro, às 19:00 h. na Biblioteca Pública do Paraná.

09
Jul
08

para ler a ilíada…

Preparando o feijão para acompanhar a Ilíada: a convidada Sissi, Paulo Ugolini, Rodolfo Brandão, e eu ( em terceira dimensão mostrando a cena pra você). O quarto membro do grupo Quatro Contra Tróia, Gustavot Diaz, pra variar, fugiu da camêra.

Falando na Ilíada, o nosso amigo e poeta Rodolfo Brandão prestou um grande serviço de utilidade pública, criando um blog no qual postou a Ilíada na íntegra. Sem notas. Mas aí já é querer demais, né? Mas tem vários links afins, que ajudam a buscar referências.

17
Abr
08

Casa da Claudete

Claudete Pereira Jorge lendo o quê?

E o fogoso Pelides: “Sem rebuço,
Dial sangue e astutíssimo Laércio,
Declaro-te o que sinto, em que hei sentado;
Nem mais teimem comigo, nem me azoinem.
Qual do Orco as portas, abomino aquele
Que na boca desmente o oculto n’alma.
Descubro a minha: o Atrida não me dobra,
Nem outro Grego, a tanto esforço ingratos
O acre ou forte em conflito, o imbele ou frouxo
Quinhão parelho têm e as mesmas honras;
Têm o enérgico e o mole igual sepulcro.
Que tirei de cruéis padecimentos,
De infindos prélios, de hórridos perigos?
Ave sou, que afamada olvida as penas,
Pesquisando o cibato a implumes filhos.
Noites insones, sanguinários dias
Curti sem conto a contrastar guerreiros
Pelas mulheres vossas. Praças doze
Eu devastei por mar, onze por terra
Nessas veigas Troianas. Vim de alfaias
E espólios carregado, e à vista os punha
De Agamêmnon; que a bordo os ferrolhava,
E poucos repartia a reis e a cabos.
Estes os têm consigo: eu só dos Gregos,
Fui da querida minha defraudado…
Pois que durma e deleite-se com ela.
Por que esta guerra? O exército Agamêmnon
Por causa não chamou da pulcra Helena?
Atridas sós entre os falantes amam?
Ama a consorte sua o reto e probo;
Eu muito amava aquela, embora serva.
Arrancou-ma falaz: pois basta, cesse
De me tentar em vão. Contigo e os outros
Busque, Ulisses, as naus livrar do incêndio.
Sem mim já fez milagres, celsas torres,
Profundo e largo fosso e paliçadas:
Nem pode assim de Heitor suster o choque!
Do fero Heitor, que nunca, eu posto em campo,
Quis longe pelejar das portas Ceias,
Nem da faia passar! um dia apenas
Meu ímpeto arrostou; salvou-se a custo.
O herói não mais profligo; e na alvorada,
Assim que imole à corte e ao rei celeste,
Meus baixéis bem providos se o desejas,
Verás em nado, e o som da ardente voga
O piscoso Helesponto irem sulcando.
Com favor de Netuno, à luz terceira
Seremos nas de Ftia amigas várzeas.
Riquezas lá deixei, partida infausta!
Bronze e ouro do sorteio, airosas moças,
Ferro polido ajunto-lhes; que o dado
O magnânimo Atrida retomou-me.
Repete-lhe isto às claras ante os Gregos,
Por que todos se indignem, se impudente
Conta iludir algum. Protervo e ousado,
O descoco não teve de encarar-me.
Nem mais consulto, nem com ele trato:
Enganou-me ofendeu-me; é de sobejo.
De mim descanse; ao precipício corra,
Que o privou da razão previsto Jove.
Como a escravo o desprezo e os dons lhe odeio:
Nem que o décuplo e em dobro me ofertasse
Do que amontoa o cobiçoso espera,
Quanto Orcómeno importa, quanto a Egípcia
Hecatômpila Tebas entesoura,
Que, duzentos campeões de cada porta
Vazando, carros vinte mil despede;
Nem que prometa os mares e as areias,
Me há de acalmar, sem que me pague o insulto
Gota por gota. A filha, não lha quero,
Vênus fosse em beleza, em lavor Palas:
Aspire a genro de mais polpa e vulto.
A preservar-me o Céu, de Hélade e Ftia
Peleu me escolha algumas dentre as virgens
De príncipes colunas dos Estados,
E a que eu prefira me será consorte:
O coração me pede grata esposa,
Que se afeiçoe aos prédios meus paternos.
São à vida inferiores os tesouros
Que, antes do cerco, a populosa Tróia
Em si continha, e as do vibrante Febo
Da sáxea Pito do marmóreo templo:
Reconquistar podemos bois e ovelhas,
Trípodes e frisões de ruiva crina:
Mas do encerro dos dentes a alma nossa
Fora uma vez, não se recobra nunca.
A mãe déia argentípede o meu duplo
Fado abriu: se debelo a grã cidade,
Não regresso, mas compro glória eterna;
Se torno ao doce ninho, murcha a glória,
Terei velhice longa e fim tardio.
Os mais que voguem: não vereis o termo
De Ílio escarpada; o mesmo Altitonante
A mão lhe estende e exalta-lhe a coragem.
Ide anunciar aos próceres, Aquivos,
É dever de legados, que outro plano
Tracem de proteger as naus e as tropas:
Este falhou, persisto incontrastável.
Pernoite Fênix, e amanhã me siga,
Por gosto e não forçado, aos pátrios lares.”

Ilíada- Homero- tradução de Odorico Mendes