Eu sou a moça da sombrinha, caminhando ao Sol com seu belo vestido, esperando, sonhando, a brincar com pétalas em seu eterno jogo de bem-me -quer…
Eu sou o olhar penetrante e as faces rubras de Apollonia…
Eu sou a mulher no camarote a ver a ópera, com os olhos marejados, sentindo cada acorde da sinfonia no fundo de sua alma…
Eu sou aquela que chora por Luíza e se exalta para defender a honra de Capitu…
Eu nunca fui Virgília, nem Cleópatra…
Eu sou a Teresinha, de um disco velho e arranhado, sempre a repetir a segunda estrofe…
Eu ainda quero ser “Aquela Mulher”…
Eu sou a menina que observa a chuva na vidraça, a desenhar bonecos de palito no vidro…A mulher que esconde a face embaixo do véu…
O beijo de Klimt, ou de Rodin…
A pequena suja a comer chocolates cheios de metafísica…
