Infelizmente a foto não é minha. rs. Aproveitem pra ver o detalhe que passou batido para a produção.
Uma coisa é o sujeito pegar uma obra que ninguém conhece e adapatar como lhe convém. Mudar o que acha que o autor poderia ter feito diferente. Agora, quando se trata de um clássico da literatura, um dos alicerces da mesma, como é o caso da obra de Homero, é preciso um pouco mais de carinho e atenção para o que se faz. É respeito com o peso da obra, com as pessoas que estudam e conhecem a mesma.
O que foi feito em Tróia, dirigida por Wolfgang Peterson, com Brad Pitt no papel de Aquiles, é chato, mas aceitável. Afinal, trata-se de uma versão hollywoodiana, feita pra agradar quem quer ver um épico bem produzido e dane-se a fidelidade do roteiro. Mas respeitou-se o básico: a ira do Peleio Aquiles, principalmente.
Sumiram com a Criseida, e fizeram da Briseida uma sobrinha de Príamo. Criaram um casal que não exite: Aquiles e Briseida. No pálacio Helena e Páris, no acampamento a escrava e o guerreiro. Dois casais num filme só. Sucesso garantido, Hollywood adora romance. E esse é o ponto que mais incomoda quem conhece a Ilíada. Mas de resto, mantêm-se o mais importante. A guerra, a briga com Agamemnon, etc…
As outras modificações que incomodam são a morte de Patroclo, o sumiço de todos os outros heróis, como se só houvesse Aquiles na batalha e a ausência total dos deuses, os quais sabemos que na Ilíada determinam tudo o tempo todo.
Apesar disso, de maneira geral, é bom. Um grande épico, muito vem dirigido, bem relista em alguns aspectos, impecável em figurino, quantidade de figurante, batalhas, etc. E isso já vale alguma coisa, não te deixa com raiva.
O mesmo não se pode dizer a respeito de Helena de Tróia, de John Kent Harrison, e com roteiro de Ronni Kern. É daqueles que você se pergunta porque o sujeito disse que baseou num livro que ele provavelmente não leu, e se leu não gostou, porque mudou absolutamente tudo que pode. Alias, creio eu, que se alguém leu a Ilíada e não gostou é porque não entendeu. E nesse caso, o roterista só leu a capa do livro, se muito aqueles resuminhos que estão no início de cada canto em algumas edições.
Começa mais ou menos bem, contando a história do nascimento de Páris e do Pomo de Ouro ( meio sem explicar, mas conta). Depois, senta que lá vem a história. Quanta bobagem!
As piores são:
1. Aquiles bombadão e careca. (Alguém pode me dizer como Palas o agarraria pela flava coma se ele fosse careca?) É um completo demente, que como todos nesse filme, fica à sombra do Vanglorioso Avidíssimo Atrida. Amisíssimo de Agâmemnon. Sabe aquele bombadão da acadêmia? Tanto que matou Heitor com um golpe só, e por isso ficou arrastando o corpo e gritando: “um golpe só, um golpe só.” E o fez para defender o Atrida, porque Patroclo não existe nessa versão da história. Inclusive, vale ressaltar que, idependente do quanto da Ilíada o roteirista leu, certamente não leu os primeiros versos. “Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles a ira tenaz…” lembram? Aquiles lutou o filme todo.
2. O sacríficio de Ifigênia. É apresentada como a única filha de Atrida. Ainda uma criança. ( alguém me diz de onde vai sair o Orestes?)
3. Menelau é um bundão, Ulysses é um bundão e é vidente. Ele diz que precisam terminar a guerra porque a esposa não vai conseguir enrolar os pretendentes muito tempo com a história do tear .( poderia me perguntar se ele soube pelo celular ou pelo msn, caso o fato não tivesse ocorrido depois do fim da guerra). Alias, só tem bundão nesse filme. O cachê deve ter sido um horror para os heróis secundarios.
4. Cassandra é uma histérica insuportável.
5. O Duelo de Menelau e Páris. Essa é a pior parte. Se eu encontrasse o roteirista, diria: “confessa, vai, você chegou na metade do livro e cansou porque era muito grande, aí resolveu fazer qualquer coisa.” Quanta bobagem. O duelo é sugerido por Agâmemnon. O mesmo envenena a lança do irmão Menelau, que ao tocar o braço de Páris, o deixa doidão e tonto. Ele cai, e quando está para ser morto, vem a nuvem de fumaça. Nesse momento você está jurando que ele vai dar uma dentro, finalmente, o que acontece a seguir? Pasmem, Menelau senta ao lado de Páris e eles começam a bater papo!
Depois disso, Heitor chama o Vanglorioso Avidíssimo Atrida pra duelar, mas quem duela em seu lugar por livre e espontânea vontade é, pasmem de novo, Aquiles!
A essas alturas não dá mais pra enumerar a sucessão de bobagens. Só vale dizer que Helena vai até a tenda do Atrida pra se entregar, ele não aceita, mas depois vai atrás dela, então Páris mata Aquiles, Agâmemnon mata Páris, os gregos somem e o Cavalo aparece do nada.
Pra fechar com chave de ouro, o Atrida estupra Helena na frente de Menelau e quem aparece de manhã? Clitemnestra gentil que mata o marido em Tróia!
Eu não sei porque me dei ao trabalho de postar tudo isso. Acho que foi um surto de indignação por ver tanta bobagem, e uma tentativa de fazer com que os amantes da Ilíada não tenham a mesma decepção. É claro que eu esperava que tivesse algumas deturpações, mas tudo tem limite né.
Ah..ia esquecendo…o figurinho é uma merda..os figurantes são poucos e as naus gregas são tão poucas que a esquadra de cabral daria inveja aos caras.
esse é o Aquiles de Helena de Tróia