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09
Jul

para ler a ilíada…

Preparando o feijão para acompanhar a Ilíada: a convidada Sissi, Paulo Ugolini, Rodolfo Brandão, e eu ( em terceira dimensão mostrando a cena pra você). O quarto membro do grupo Quatro Contra Tróia, Gustavot Diaz, pra variar, fugiu da camêra.

Falando na Ilíada, o nosso amigo e poeta Rodolfo Brandão prestou um grande serviço de utilidade pública, criando um blog no qual postou a Ilíada na íntegra. Sem notas. Mas aí já é querer demais, né? Mas tem vários links afins, que ajudam a buscar referências.

04
Mai

Maiakóvski


Lílitchka! (Em Lugar de Uma Carta)

Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchokônin.
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração — aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez com zanga.
No teu hall escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consistas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.
Quando um boi está morto de trabalho
ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor de teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei ondes estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria a sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai mais com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos — rodopiante carnaval —
dispersarão as folhas de meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.

30
Abr

A Divina Comédia

Dizem que quando alguém perguntava a Jorge Luis Borges se ele lia o que seus contemporâneos andavam escrevendo, ele costumava dizer “não, estou atrasados com os clássicos”. E quem não está? Eu, particularmente, confesso estar atrasadissíma. Mas, correndo atrás do prejuízo. Além da Ilíada, que tornou-se a minha grande paixão literária e objeto de estudos e trabalho pelos próximos dez anos, no mínimo, encantei-me nesse fim de semana pela grande obra de Dante Aligheri. Na verdade, um interesse que eu já tinha há muito, mas que ainda estava apenas no campo da vontade.

Porém, nesse fim de semana, quando descobri a tradução de Augusto de Campos para o Canto V, do Inferno, não pude me contar a correr e estudar a obra. Infelizmente, só temos uma tradução completa, em versos na Lingua Portuguesa, que é a do Xavier Pinheiro. As traduções do Augusto são muito melhores, mas ele traduziu apenas alguns cantos. Mas não desmerece a tradução do xavier, que apesar de não fluir de maneira tão brilhante quanto a outra, também segue a estrutura de Tersinas usada por Dante. Outro ponto que vale a pena atentar na tradução do Xavier são as notas, que são muitas e bem esclarecedoras, e uma introdução que dá boas explicações sobre a Dante e a Divina Comédia. Só isso já vale a leitura da obra.

Procurei o tradução do Canto V do Augusto pra postar aqui mas não encontrei. Segue um fragmento da tradução do Xavier Pinheiro. Nesse canto, Dante encontra-se num dos primeiros círculos do Inferno ( ver figura- n. 5), que é o círculo da Luxúria. O nome já diz tudo, né? Lá, os pecadores ficam girando eternamente no ar. Entre as varias figuras que lá se encontram, como Cleópatra, Helena, Páris e Aquiles, está Francesca de Rimini, que narra a sua história e de seu amante ao poeta.

CANTO V (fragmento)

Eis já começo da infernal geena
A ouvir os lamentos: sou chegado
Onde intenso carpir me aviva a pena.

Em lugar de luz mudo tenho entrado:
Rugia, como faz mar combatido
Dos ventos, pelo ímpeto encontrado.

Da tormenta o furor, nunca abatido,
Perpetuamente as almas torce, agita,
Molesta, em seus embates recrescido.

Quando à borda do abismo as precipita,
Ais, soluços, lamentos vão rompendo.
Blasfema a Deus a multidão maldita.

Ouvi que estão no padecer horrendo
Os que aos vícios da carne se entregavam,
Razão aos apetites submetendo.

Quais estorninhos, que a voar se travam
Em densos bandos na estação já fria,
Em rodopio as almas volteavam,

Ao capricho do vento, que as trazia.
De pausa não, de menos dor a esp’rança
Conforto lhes não dá nessa agonia.

Como nos ares longa série avança
De grous, que vão cantado o seu grasnido,
Assim no gemer seu, que não descansa,

Traz o tufão as sombras desabrido.
— “Mestre” — disse eu — “quais almas são aquelas
Que o vendaval fustiga denegrido?”

— “A primeira” — tornou Virgílio — “entre elas
De quem notícias ter desejarias,
Regeu nações, diversas nas loquelas.

“De luxúria fez tantas demasias
Que em lei dispôs ser lícito e agradável
Para desculpa às torpes fantasias.

“Semíramis chamou-se: o trono estável[2]
Herdou de Nino e foi a sua esposa.
Do Soldão teve a terra memorável.

“A morte deu-se a outra, de amorosa,[3]
Às cinzas de Siqueu traidora e infida;
Cleópatra após vem luxuriosa”.[4]

Helena vi, a causa fementida[5]
De tanto mal, e Aquiles celebrado
Que teve por amor a extrema lida.

Páris, Tristão e um bando assinalado[6]
De sombras me indicou, nomes dizendo,
Que à sepultura amor tinha arrojado.

A compaixão me estava confrangendo,
Dessas damas e antigos cavaleiros
Nomes ouvindo e mágoas conhecendo.

Então disse eu: — “Poeta, aos companheiros[7]
Dois, que ali vêm, falar muito desejo:
Ao vento ser parecem tão ligeiros!”

“Hás de ter” — me tornou — “asado ensejo,
Quando forem mais perto; então lhes pede
Pelo amor que os uniu: virão sem pejo”. —

Quando acercar-se o vento lhes concede
A voz alcei: — “Ó! vinde, almas aflitas,
Falar-nos, se alta lei não vo-lo impede”. —

Quais pombas, que saudosas de asas fitas,
Ao doce ninho, em vôo despedido,
Vão pelo ar, aos desejos seus adstritas:

Tais saíram da turba, em que era Dido,
A nós as duas sombras se inclinando,
Tanto as moveu da voz o tom sentido!

— “Entre beni’no, compassivo e brando,
Que nos vem visitar por este ar perso,
Tendo nós dado o sangue ao mundo infando,

“Se amigo o Senhor fosse do universo,
Da paz aos rogos nossos, gozarias,
Pois te enternece o nosso mal perverso.

“Enquanto o vento é quedo, o que dirias
Havemos nós de ouvir atentamente;
Diremos quanto ouvir desejarias.

“Onde, a paz desejando, o Pado ingente
Com seus vassalos para o mar descende,
A terra, em que hei nascido, está jacente.

“Amor, que os corações súbito prende,
Este inflamou por minha formosura,
Que roubaram-me: o modo inda me ofende.

“Amor, em paga exige igual ternura,
Tomou por ele em tal prazer meu peito,
Que, bem o vês, eterno me perdura.

“Amor nos igualou da morte o efeito:
A quem no-la causou, Caína, esperas”.
Após tais vozes foi silêncio feito.

Daquelas almas as angústias feras
Em meditar amargo a fronte inclino
Té que o Mestre exclamou: “Que consideras?”

Quando pude, falei: “Cruel destino!
Que doce cogitar! Que meigo encanto,
Precederam do par o fim maligno!” —

Aos dois voltei-me e disse-lhes, entanto:
“Teus martírios, Francesca, me angustiam,
Movem-me o triste, compassivo pranto.

“Quando os doces suspiros só se ouviam,
Como, em que Amor mostrar-vos há querido
Os desejos, que ainda se escondiam?” —

— “Não há” — disse — “tormento mais dorido
Que recordar o tempo venturoso
Na desgraça. Teu Mestre o tem sentido.

“Mas porque de saber és desejoso,
Como nasceu a flor do nosso afeto,
Direi chorando o lance lastimoso.

“Por passatempo eu lia e o meu dileto
De Lanceloto extremos namorados;
Éramos sós, de coração quieto.

“Nossos olhos, por vezes encontrados,
Cessam de ler; ao gesto a cor mudara.
Um ponto só deu causa aos nossos fados.

“Ao lermos que nos lábios osculara
O desejado riso, o heróico amante,
Este, que mais de mim se não separa,

“A boca me beijou todo tremante,
De Galeotto fez o autor e o escrito.
Em ler não fomos nesse dia avante”.

Enquanto a história triste um tinha dito,
Tanto carpia o outro, que eu, absorto
Em piedade, senti letal conflito,

E tombei, como tomba corpo morto.

17
Abr

Casa da Claudete

Claudete Pereira Jorge lendo o quê?

E o fogoso Pelides: “Sem rebuço,
Dial sangue e astutíssimo Laércio,
Declaro-te o que sinto, em que hei sentado;
Nem mais teimem comigo, nem me azoinem.
Qual do Orco as portas, abomino aquele
Que na boca desmente o oculto n’alma.
Descubro a minha: o Atrida não me dobra,
Nem outro Grego, a tanto esforço ingratos
O acre ou forte em conflito, o imbele ou frouxo
Quinhão parelho têm e as mesmas honras;
Têm o enérgico e o mole igual sepulcro.
Que tirei de cruéis padecimentos,
De infindos prélios, de hórridos perigos?
Ave sou, que afamada olvida as penas,
Pesquisando o cibato a implumes filhos.
Noites insones, sanguinários dias
Curti sem conto a contrastar guerreiros
Pelas mulheres vossas. Praças doze
Eu devastei por mar, onze por terra
Nessas veigas Troianas. Vim de alfaias
E espólios carregado, e à vista os punha
De Agamêmnon; que a bordo os ferrolhava,
E poucos repartia a reis e a cabos.
Estes os têm consigo: eu só dos Gregos,
Fui da querida minha defraudado…
Pois que durma e deleite-se com ela.
Por que esta guerra? O exército Agamêmnon
Por causa não chamou da pulcra Helena?
Atridas sós entre os falantes amam?
Ama a consorte sua o reto e probo;
Eu muito amava aquela, embora serva.
Arrancou-ma falaz: pois basta, cesse
De me tentar em vão. Contigo e os outros
Busque, Ulisses, as naus livrar do incêndio.
Sem mim já fez milagres, celsas torres,
Profundo e largo fosso e paliçadas:
Nem pode assim de Heitor suster o choque!
Do fero Heitor, que nunca, eu posto em campo,
Quis longe pelejar das portas Ceias,
Nem da faia passar! um dia apenas
Meu ímpeto arrostou; salvou-se a custo.
O herói não mais profligo; e na alvorada,
Assim que imole à corte e ao rei celeste,
Meus baixéis bem providos se o desejas,
Verás em nado, e o som da ardente voga
O piscoso Helesponto irem sulcando.
Com favor de Netuno, à luz terceira
Seremos nas de Ftia amigas várzeas.
Riquezas lá deixei, partida infausta!
Bronze e ouro do sorteio, airosas moças,
Ferro polido ajunto-lhes; que o dado
O magnânimo Atrida retomou-me.
Repete-lhe isto às claras ante os Gregos,
Por que todos se indignem, se impudente
Conta iludir algum. Protervo e ousado,
O descoco não teve de encarar-me.
Nem mais consulto, nem com ele trato:
Enganou-me ofendeu-me; é de sobejo.
De mim descanse; ao precipício corra,
Que o privou da razão previsto Jove.
Como a escravo o desprezo e os dons lhe odeio:
Nem que o décuplo e em dobro me ofertasse
Do que amontoa o cobiçoso espera,
Quanto Orcómeno importa, quanto a Egípcia
Hecatômpila Tebas entesoura,
Que, duzentos campeões de cada porta
Vazando, carros vinte mil despede;
Nem que prometa os mares e as areias,
Me há de acalmar, sem que me pague o insulto
Gota por gota. A filha, não lha quero,
Vênus fosse em beleza, em lavor Palas:
Aspire a genro de mais polpa e vulto.
A preservar-me o Céu, de Hélade e Ftia
Peleu me escolha algumas dentre as virgens
De príncipes colunas dos Estados,
E a que eu prefira me será consorte:
O coração me pede grata esposa,
Que se afeiçoe aos prédios meus paternos.
São à vida inferiores os tesouros
Que, antes do cerco, a populosa Tróia
Em si continha, e as do vibrante Febo
Da sáxea Pito do marmóreo templo:
Reconquistar podemos bois e ovelhas,
Trípodes e frisões de ruiva crina:
Mas do encerro dos dentes a alma nossa
Fora uma vez, não se recobra nunca.
A mãe déia argentípede o meu duplo
Fado abriu: se debelo a grã cidade,
Não regresso, mas compro glória eterna;
Se torno ao doce ninho, murcha a glória,
Terei velhice longa e fim tardio.
Os mais que voguem: não vereis o termo
De Ílio escarpada; o mesmo Altitonante
A mão lhe estende e exalta-lhe a coragem.
Ide anunciar aos próceres, Aquivos,
É dever de legados, que outro plano
Tracem de proteger as naus e as tropas:
Este falhou, persisto incontrastável.
Pernoite Fênix, e amanhã me siga,
Por gosto e não forçado, aos pátrios lares.”

Ilíada- Homero- tradução de Odorico Mendes

14
Abr

Sorex e Minustah

Eu amo sorex
seus cabelos longos de mulher vermelha,

seu sorriso ardente, sua pele honesta,
suas superquadras verdes de cimento e lua.
Eu amo sorex
por cima das conjecturas e conveniências,
por cima das burocracias
e nomenklaturas,
dos papéis timbrados e dos ministérios,
do velado apoio ao capital de usura,
eu amo sorex.
Paulo Bearzoti (foto tirada na Casa da Claudete)
27
Mar

Retalhos de Guerra

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Então, entre libações e batalhas,
amanheceu. Assim, com o olhar fixo
à morada de tantos numes anseio:
Faustos deuses hão de me fazer vencer
a guerra que meus olhos travam em ti.

Por enquanto, apenas tuas lancetadas
atingem em mim o seu alvo certeiro.
Nem bigas, nem gládios, ou o argênteo arco
do grã-frecheiro me valem agora.

Assim deixo-me ficar, a carpir-me
pesarosa ante a espumante beira,
rogando à Dial Ciprina que me
apazigue o peito e outorgue a glória
de seguir contigo e ser-te o prêmio,
té que eu envelheça em teu pálacio,
a urdir-te teias e a compor teu leito.

27
Mar

Da Estagnação

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Numa dessas minhas crises de estagnação, de completa dificuldade de articular os pensamentos e tranformá-los em textos minimamente coerentes e interessantes, numa dessas minhas angústias particulares que me têm sido tão frequentes nos últimos anos, tive um momento em particular que merece ser aqui citado.

Talvez isso explique, em partes, porque eu desapareço de vez em quando. Não que eu realmente acredite que explicações nesses casos sejam necessárias, ou que venham a convencer alguém de fato. Para mim isso já está além do alcance, já virou metafísica. Mas esse momento, essa explicação em especial, só merece atenção porque traz à tona a minha forte relação com Fernando Pessoa, que é algo que faz tão parte de mim como meus cabelos ou meus cravos no nariz. Existe, é fato e não tem jeito.

A insônia tem sido uma companheira constante, mas não teve a ver com o dia em questão. Nesse dia que descrevo em particular, depois de uma noite não muito bem dormida devido a fatores externos como a falta de cobertor ( que é uma das poucas coisas capazes de impedir-me de cair em sono porfundo, além da insônia, é claro), acordei com a alma em desassossego total. Por sorte, olho treinado ou inspiração, o primeiro título entre os tantos livros que estavam à minha volta naquele momento a me chamar a atenção foi justamente o Livro do Dessossego, de Bernardo Campos ( o guardador de livros) - outro heterônimo do Pessoa.

Uma página havia sido marcada, não por mim, e também não tenho idéia de quem seja, mas chego a desconfiar que, dormindo ao meu lado, ou observando-me ao sono, fora o próprio Pessoa que o fizera, visto que o conteúdo parecia sair de dentro de mim e não o contrário, que é o comum ao lermos algo novo. Segue o trecho, para o deleite de todos:

[126]
Tenho grandes estagnações. Não é que, como toda a gente, esteja dias sobre dias para responder num postal à carta urgente que me escreveram. Não é que, como ninguém, adie indefinidamente o fácil que me é útil, ou o útil que me é agradável. Há mais sutileza na minha desinteligência comigo. Estagno na mesma alma. Dá-se em mim uma suspensão da vontade, da emoção, do pensamento, e esta suspensão dura magnos dias; só a vida vegetativa da alma – a palavra, o gesto, o hábito – me exprimem eu para os outros, e, através deles, para mim.
Nesses períodos da sombra, sou incapaz de pensar, de sentir, de querer. Não sei escrever mais que algarismos, ou riscos. Não sinto, e a morte de quem amasse far-me-ia a impressão de ter sido realizada numa língua estrangeira. Não posso; é como se dormisse e os meus gestos, as minhas palavras, os meus atos certos, não fossem mais que uma respiração periférica, instinto rítmico de um organismo qualquer.
Assim se passam dias sobre dias, nem sei dizer quanto da minha vida, se somasse, se não haveria passado assim. Às vezes ocorre-me que, quando dispo esta paragem de mim, talvez não esteja na nudez que suponho, e haja ainda vestes impalpáveis a cobrir a eterna ausência da minha alma verdadeira; ocorre-me que pensar, sentir, querer também podem ser estagnações, perante um mais íntimo pensar, um sentir mais meu, uma vontade perdida algures no labirinto do que realmente sou. Seja como for deixo que seja. E ao deus, ou aos deuses, que haja, largo da mão o que sou, conforme a sorte manda e o acaso faz, fiel a um compromisso esquecido.