Arquivo para Janeiro, 2009

18
Jan
09

Beto Fica por R$ 2,20…

Enquanto isso, no mundo perfeito do Beto Richa, sua primeira medida importante foi aumentar o preço da passagem para absurdos R$ 2, 20.

E por falar em seu mundo perfeito, publico um texto esclarecedor de Bruno Meirinho sobre a linha verde o o modelo excludente da Curitiba perfeita.

Além da Linha Verde
Publicado em 08/01/2009 | Bruno Meirinho
Durante a campanha eleitoral de 2008, tive a oportunidade de debater na televisão com o candidato Beto Richa sobre as isenções da Linha Verde, noticiadas na imprensa (“Linha Verde divide a cidade e opiniões”, Gazeta do Povo, 25/5/2008). Ele respondeu afirmando que não há benefícios fiscais na Linha Verde, que eu não devia insistir nessa “tese”. Contraditoriamente, reconheceu que há isenções para empresários do Tecnoparque. E onde fica o Tecnoparque? Consultando o site da prefeitura em 7 de outubro de 2008, encontrei o artigo “Linha Verde movimenta mercado imobiliário”, muito explicativo sobre o projeto, focado em favorecer a manipulação imobiliária. O texto exalta a vocação da Linha Verde em multiplicar os valores dos imóveis próximos, especialmente perto do que se chamou de “estrela” do projeto, o Polo Tecnoparque, no entorno do cruzamento da Marechal Floriano com a Linha Verde.
Na propaganda oficial, o Tecnoparque faz parte da Linha Verde. É justamente o local mais agitado do mercado imobiliário. Mas quando se mostra que é também onde estão as mais irresponsáveis isenções de impostos, a prefeitura nega que faça parte do projeto. Está lançada a confusão.
Para trocar mais impressões sobre o assunto, em julho de 2008 estive em Assunção, no Paraguai, em um encontro de especialistas latino-americanos em grandes projetos urbanos, organizado por um instituto internacional de políticas urbanas (Lincoln Institute). Lá, apresentei um estudo meu sobre a Linha Verde, apontando o projeto como mais um capítulo do urbanismo e do planejamento excludentes que se perpetuaram em Curitiba. No encontro, um consenso: é preciso aperfeiçoar mecanismos para recuperar os investimentos públicos, sem benefícios injustos para especuladores imobiliários.
E o que é a Linha Verde? O mais atual exemplo do planejamento excludente de Curitiba é um projeto faraônico de propaganda, que se arrasta desde a gestão de Cassio Taniguchi e que consegue concentrar o que há 40 anos tem sido feito para tornar Curitiba uma cidade-modelo em exclusão, num impressionante citymarketing.
Responsável por um endividamento de centenas de milhões de reais, a Linha Verde drena os recursos da cidade, dos impostos dos trabalhadores, e os concentra em um local destinado à valorização do mercado imobiliário e ao favorecimento de empresas globais. Esse processo é o que chamamos de concentração da riqueza.
Como noticiado pela própria prefeitura, as obras multiplicam os valores dos imóveis dos proprietários beneficiados, na faixa do entorno da Linha Verde e nos polos – e isso se dá com dinheiro público. Ao final, favorece poucos, principalmente pela injustiça tributária do Brasil em que os pobres pagam muito mais impostos que os ricos, como recentemente divulgado pelo Ipea, que declarou que os mais pobres pagam 40% mais impostos que os mais ricos.
Os ricos também devem pagar impostos e existem instrumentos que permitem à prefeitura reverter essa injustiça, rompendo a lógica de endividar a cidade para os trabalhadores pagarem a conta. Os mecanismos mais conhecidos são o IPTU progressivo e a contribuição de melhoria. No entanto, a cobrança por melhorias só é regra contra os pobres, pois em qualquer bairro de baixa renda de Curitiba, quando a prefeitura vai implantar a infraestrutura básica essencial, cobra dos moradores a fatura. A história é sempre a mesma: primeiro vem a manilha e o asfalto, depois a taxa da prefeitura. Conformados, os trabalhadores aceitam; afinal, nada vem de graça.
Mas na Linha Verde não está prevista nenhuma taxa de infraestrutura ou contribuição de melhoria. É tudo “de graça”. Para quem? Todo o investimento resultará em dívida para a cidade – leia-se, o trabalhador – pagar. Ao fim, os moradores dos bairros mais pobres, pagam, como sempre, duas vezes: primeiro pela própria infraestrutura, depois pela infraestrutura das grandes empresas globais, favorecidas por obras como a Linha Verde.
A falta de contribuição de melhoria nesta obra, por si só, é uma isenção. Além disso, outros benefícios fiscais foram planejados para o setor especial da BR-116 – e inexplicavelmente falta a recuperação dos investimentos. É na base do empréstimo de bancos internacionais.
No Tecnoparque, considerado pela prefeitura o mais importante polo da Linha Verde, os benefícios vão além: estão garantidos, por 10 anos, além da ausência de taxas e da contribuição para a melhoria, as isenções totais de IPTU e ITBI.
Enquanto as atenções da prefeitura estão voltadas para o projeto, vemos que a urbanização e a regularização das vilas e favelas, para a segurança física e jurídica das moradias dos trabalhadores, está longe de ser prioridade, mesmo custando menos e sendo mais importante que a drenagem milionária de recursos para um só lugar.
Por isso, os socialistas realmente preferem e lutam por uma repartição melhor dos recursos da cidade, em oposição aos projetos de concentração da riqueza. É nessa posição que me coloco. Mais: é urgente ir além e atacar as causas que produzem as catracas da cidade.
O maior problema está no modo de produção injusto e excludente, que continuará construindo cidades excludentes, das quais Curitiba é um triste “modelo”. Nada a comemorar. Não queremos uma cidade-modelo em exclusão. Cada vez mais, a notícia de isenções de impostos na Linha Verde deixa de ser uma “tese” e passa a ser triste verdade contra a qual é nosso dever lutar.

Bruno Meirinho é advogado e militante do PSOL. Foi candidato à prefeitura de Curitiba pela Frente de Esquerda (PSOL, PCB, PSTU) e trabalha na Ambiens Cooperativa onde é consultor em projetos de planejamento urbano.
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18
Jan
09

Eleitos 2008 # A Ilíada

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Foto: Gilson Camargo

Na verdade a descoberta se deu no fim de 2007, mas os estudos sérios se consolidaram ao longo de 2008.

É claro que já tinha ouvido falar na obra, sabia do que se tratava, mas, quando me deparei com a tradução belíssima do Odorico Mendes,  descobri um mundo de possibilidades que ela pode apresentar. Uma tradução brilhante, uma Língua Portuguesa fantástica, uma obra didática, cheia de política, ética, honra, religião, beleza, etc.

Acrescento uma nota especial à publicação da Ilíada com as notas verso a verso de Sálvio Nienkötter ( já apresentada aqui no blog na ocasião de seu lançamento), fundamental para o meu entendimento da obra.

18
Jan
09

Gaza

Antes de seguir com a minha lista de eleitos,  me sinto obrigada a tocar, mais uma vez, e agora com mais responsabilidade, no que elejo como a pior maneira de se começar um ano: com matança.

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Foto tirada da internet.

Não posso, de maneira alguma, me calar diante do que vejo. E vou usar um pouco esse espaço. Como esses conflitos entre palestinos e judeus são antigos, já deram muito pano pra manga e as informações (reais e sem manipulação da mídia)  são sempre díficeis, e também por respeitar o direito que os meus leitores e amigos têm de não querer ver e discutir isso também por aqui, criei uma aba, uma página específica para essas informações, para esses textos. Portanto, quem tiver interesse, basta procurar ali no cantinho direito.

09
Jan
09

Os Eleitos de 2008 – #1 ( Troy)

Em primeiro lugar preciso esclarecer que a lista tem numeração aleatória. Não tem nada a ver com a colocação, ou preferência de um ou outro artista escolhido. Também porque seria uma tarefa quase impossível numerar, seja por talento ou importância, pois há muitas diferenças de estilo e tal.

Começo com esse garoto:  TROY ROSSILHO.

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Troy Rossilho no Wonka Bar- Curitiba

Jovem, talentoso, maduro, consistente. Carrega uma delicadeza indescritível nas suas composições.  Sua música é leve, porém marcante.  Quatro CDs e um DVD fantástico gravados. Além do seu talento pessoal,  nos presenteia com as parcerias que faz com os melhores compositores e poetas curitibanos (alguns inclusive vão aparecer nesta lista mais tarde), entre eles: Octávio Camargo, Alexandre França, Thadeu W. ( O polaco da Barreirinha), Luiz Felipe Leprevost, e seu pai, César Rosillho.

Com isso, além de melodias deliciosas, seu trabalho conta com letras simples, porém marcantes, sem frescura,  que não têm como passar despercebidas ou serem esquecidas com facilidade.

É uma pena que no myspace a gente só pode ouvir 6 músicas, porque tem muita coisa boa desse menino pra gente ouvir.

09
Jan
09

Coletivo Operante em Curitiba

Antes de começar a minha lista,  uma boa lembrança de 2008.

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Coletivo Operante- Curitiba Master Hall- 2008

Infelizmente não tive a alegria de acompanhar meus caríssimos amigos da banda Coletivo Operante nos tantos shows que fizeram durante o ano, como era de costume nos anos anteriores. Senti muita falta, mas tive uma grata surpresa no único show que pude assistir. Na verdade nem foi tanta surpresa assim, pois sempre apostei no talento desses meninos. E eles superam cada ve mais as minhas expectativas. Sensacional.

Deixo link pra duas músicas novas, caso vocês queiram conferir: Mina Loca e Calma Aí.

09
Jan
09

2009

Deveria aproveitar esse inicio de ano tedioso ( como todos os outros, alias, pois sempre acho o mês de janeiro uma coisa muito estranha), para fazer algumas listas, tais como 150 maneiras de deixar de ser preguiçosa e postar coisas de verdade, com mais de duas frases. Mas deu preguiça.

Não sou muito de fazer essas listas de melhores e piores do ano,  porque sempre tenho a sensação de que esqueci alguém, ou que não fiquei tão antenada às coisas legais que apareceram no mundo, então deixo essa tarefa pros meus amigos jornalistas e internautas convictos (diferentes de mim que estou sempre visitando os mesmos espaços), pois certamente poderão executar melhor  tarefa.

Mas vou fazer uma lista, sim.

Como esse ano foi um ano particularmente muito diferente dos últimos, onde imperaram as mudanças e as novidades, minha lista vai tratar do melhor de tudo isso. Coisas, pessoas, lugares que conheci e/ou redescobri em 2008.

Além disso,  prometo ser mais assídua esse ano. E talvez mais interessante, mais provocativa, mais verdadeira. Fica postado aqui, pra posteriores cobranças. ( minhas mesmo).

04
Jan
09

O Muro da Vergonha

Separando o território israelense do território cisjordaniano, o muro prevê uma extensão total de 721km, dos quais bem mais que a metade já foi cumprida a construção; cerca de 80% dêle, está em território cisjordaniano, chegando a aprofundar-se neste em até 20 km. Inclui importantes e densos assentamentos israelenses. É contituído de grandes módulos de concreto armado de 8 metros de altura, e conta com torres de observação, proteção de farpados, e uma estrada, rente ao muro, para locomoção de patrulhas militares. Para sua construção, muitas propriedades palestinas foram destruidas, inclusive olivais centenários.

( Informações a mim transmitidas por Adelar Bazzanella, mestre, amigo e militante da causa palestina)

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A Mitologia Grega apresentava Marte como o Deus da Guerra. Um ser cruel e sanguinário, tomado como a personificação da carnificina. Dormia em um leito feito com a pele dos guerreiros que trucidava nos campos de batalha.

Nem ele, tão atroz e cruel, seria capaz de continuar pisando na faixa de Gaza. Deve ter abandonado o local com vergonha do que viu.

01
Jan
09

Para passar a régua em 2008

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Poema em linha reta

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[538]

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.